
A doença era corrosiva, degenerativa, conspurcadora e enfezada. Padecia daquele mal há mais tempo que o que sabia, preferiu ignorar os sintomas, deixou-os avançar e corrompê-la até serem impossíveis de negar. Saltavam à vista, a olho nu até, qualquer um que se desse ao trabalho de a fitar, de lhe olhar no fundo dos olhos, reparava que o que a habitava era uma sanguessuga difícil de escorraçar. A doença, como lhe chamavam, não tinha cura. Alimentava-se dela e ela dela, eram ambas insaciáveis, eram indissociáveis uma da outra. Era um vício, um querer desenfreado, um respirar frenético, um...