
E sem mais delongas, ela permitiu-se. Deixou os sentimentos ocuparem o lugar correcto, deixou-os tomar forma, ganhar corpo, encaixarem no espaço que lhes era destinado. Há já algum tempo que os deixava deambular fugidios como o fumo áspero de um cigarro, incoerentes, incertos. Havia-se furtado a oferecer-lhes um recipiente onde permanecer por não saber o que fazer com eles, por não saber que destino lhes dar. Vagueavam-lhe no espírito como penas a flutuar ao som de uma brisa. Umas vezes ignorava-os apesar da sua presença latejante, do seu ecoar constante. Outras, deixava-se embrenhar e sucumbir....